domingo, 18 de novembro de 2007

"¿Por qué no te callas?"

Eduardo Galeano, em seu livro “As veias abertas da América Latina”, discorre sobre a maneira como fomos colonizados e as mazelas que se refletem até hoje por conta disso. Espanhóis e portugueses, desde o século XV exploraram o continente usando a mesma tática: opressão colonial. Não economizaram em trabalhos forçados e tortura física, o que lhes possibilitou o enriquecimento. Atrás dos portugueses e espanhóis, os ingleses, de quem eram devedores. Por certo, fomos e somos figuras importantes para enriquecer algumas nações, mesmo às custas de intermináveis crises, provocadas por dolorosa desigualdade social.
O episódio na CUMBRE, onde o rei da Espanha lançou um "¿Por qué no te callas?", demonstrou a falta de educação e diplomacia do rei, se portando como o insolente conquistador do passado, que, ao ser confrontado pelo ‘antigo colono’, não admite e busca o fim do debate à velha maneira dos arrogantes que se acham acima dos outros, ou seja, com um autoritário: CALA A BOCA!
Não comungo com muitas das idéias de Chávez, mas o que se viu no episódio em questão, pareceu-me mais uma tentativa de humilhação pública, que o lamentável desfecho de divergências políticas.
No dia anterior ao episódio Zapatero já havia sido advertido, pelos chefes de estado latino-americanos, sobre a segunda hola espanhola que está se abatendo sobre a América Latina. Em sua fala, mesmo não sendo seu dia de usar a palavra, o primeiro ministro espanhol dizia para o mundo que os países pobres deveriam parar de colocar nos países ricos a culpa por seus problemas. Começa aí a interferência de Chávez com o seguinte: "Só porque você é espanhol, Zapatero, digno homem de esquerda, tem de defender qualquer m... espanhola? Então, você defenderia também o Aznar, aquele fascista que apoiou a invasão do Iraque e um golpe contra a Venezuela?”. Referia-se ao antigo primeiro ministro espanhol e sua adesão ao golpe para tirar Chávez do poder.
Depois foi o que se viu, chegando-se ao autoritário CALA A BOCA real.
O monarca poderia estar em um ‘dia de fúria’, mas seu comportamento pode ter outras leituras: mostrou que é um valentão; que Chávez poderia ser calado; que se deve desviar a atenção mundial sobre o que acontece política e economicamente entre os países ricos e pobres.

A relevância sobre o que ali era discutido ficou em segundo plano.

Que oportuno para a Espanha o gesto real...

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