sábado, 3 de novembro de 2007

Voam os tubarões?


Ilustração - Gustave Doré - 1887

"Nel mezzo del cammin di nostra vita
mi ritrovai per una selva oscura,
ché la diritta via era smarrita.
Ahi quanto a dir qual era è cosa dura
esta selva selvaggia e aspra e forte
che nel pensier rinova la paura!"

Dante, Divina Comédia, Inferno, I, 1-6.



Lembranças não separam muito bem vivos e mortos. Quem faz a chamada é o amor. Não importa o lado do rio. Atravessou, não atravessou... lembro!

Estou "nel mezzo del cammin" da minha vida? Quantas moedas cobra mesmo Caronte? Não sei lidar direito com números, deixo a contabilidade por aí (onde por os cigarros? as caminhadas amanhã eu começo? ah, mas este vinho é mesmo italiano? carne ou vegetais?). Cansaço!

Tubarões não podem dormir. Parados, morrem asfixiados. Nadam até dormindo. Cansaço! E se parasse um pouco? Sinto dores nas feridas... Cansaço! Onde está o fim da floresta? Preciso parar...posso? Não!

Virgílio? Beatriz? Alguém?

Busco em mim a resposta. Cigarras não nadam, voam... e cantam até o fim.

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